segunda-feira, 3 de maio de 2010

Velhas memórias #4

" As meninas se apressaram e tomaram rapidamente o café, puseram suas respectivas tigelas na pia, colocaram comida para o peixe, Dito, era um peixe palhaço que mais fazia fugir das mãos gordinhas de Clarice, que todo dia queria pegar o pobre coitado.Subiram as escadas correndo e antes mesmo que eu começasse a lavar a louça elas já estavam no banho, junto com seus patinhos de borracha, Barco do Capitão Gancho, e é claro o próprio Gancho. Enquanto lavava a louça pensei o quanto ia ser difícil fazer aquele passeio com minhas meninas, mas palavra de homem é uma só, prometi e tinha que cumprir. Lavei e guardei as louça no armário branco acima da geladeira antiga vermelha, passei pela sala e lá estavam as duas, sentadas, arrumadas, perfumadas e cada uma com um botão de rosa na mão. - Bamos papa! disse Clarice, - Minha Sininho, espera só o papa se arrumar e nós vamos, tá!,Clarice fez que sim com a cabeça e tornou a sentar no sofá. Subi tomei um banho rápido, não podia deixar minhas meninas sozinhas por muito tempo, desci as escadas correndo, e lá continuavam elas, agora Clarice tinha também seu cachorrinho de pelúcia, o Billy, nas mãos. Peguei as chaves do carro e seguimos para ver a mamãe.Ao chegar no cemitério lá estava o túmulo de minhas esposa amada, Christynne. Chris, como a chamava tinha olhos que eram como o nascer do sol, dourados, seus cabelos combinavam com seus olhos, eram dourados também, sua pele, aveludada, sua boca avermelhada,um sorriso, aquele sorriso... sua postura justificava anos de balé, era leve, era linda, olhar pra ela, era admirar uma pintura do pintor mais perfeccionista.Meu único amor foi essa mulher ela me deu as jóias mais raras, ela me fez o homem  mais feliz do mundo.Os 20 anos de casado foram poucos, mas foram os que tivemos, sem uma sequer briga ou discussão éramos chamados de casal perfeito.Olhando seu túmulo e as meninas ali fazendo suas preces, preces que eu achava que Deus não ouvia mais,e colocando ali suas flores,lembrei de nosso história. Havíamos nos conhecido no colégio, eu me apaixonei a primeira vista por ela,sempre fui o brigão da escola, mas por ela mudei. Uma das diversas vezes que mandei um bilhetinho pra ela, se bem me lembro, minha memória anda falhando ultimamente,tinha escrito: -você é a menina mais bonita do meu mundo, me dá uma chance. e ela me respondeu, a primeira vez que ela me respondeu: ou você para de ser chato e me deixa em paz, ou muda o sei jeito e eu PENSAREI NO SEU CASO ( sim a ultima frase foi escrita em letras maiúsculas, sublinhadas e em negrito) a partir desse dia mudei. mudei por ela, mas só tive minha chance depois de uns 2 anos, ela era jogo duro. duríssimo eu diria. Namoramos por 3 anos e logo casamos, eu tinha, 27 anos e ela 25. Ela parecia um anio intocado descendo em nuvens, uma aparição divina vestida de noiva.Anos depois tivemos nossa primeira filha Lucy, ela já tinha 30 anos e eu beirava os 32. Decidimos depois de três anos ter Clarice.Ela veio, como mais uma confirmação de nosso amor. 2 anos depois Chris descobriu que tinha câncer, mas nada me contou,queria evitar um sofrimento familiar, um desgaste das meninas. Fez o tratamento, mas o infeliz se alastrou pelo seu corpo e chegou a um estágio onde nem o tratamento mais fazia efeito. Lembro me do seu ultimo dia de vida. Ela pediu para ir ao bosque. Arrumamos as meninas, levamos a cesta e fomos fazer nosso pic-nic num domingo chuvoso.Comemos e levamos as meninas para um passeio. admiramos as flores que estavam todas molhadas de orvalho, ouvimos os pássaros e toda essa bobagem de natureza. As meninas logo encontraram Mandy, amiguinha da escola com seu pai, o Jack,elas imploraram pra nós deixarmos elas irem com Mandy até a sua nova casinha de madeira.Chris como sempre,coração mole,deixou.As meninas em gratidão abraçaram tão forte a mãe que elas cairam no chão, disseram mil vezes eu te amo e partiram felizes. Neste mesmo momento Chris me levou ate um galpão abandonado.Estava meio úmido, mas era aconchegante, numa parte superior, havia uma janela onde viamos parte do bosque, ali ela estirou um tipo de manta, olhamos a paisagem, trocamos juras e ali mesmo fizemos amor,foi uma das tardes mais lindas que vivi com ela,por fim ficamos deitados por longos minutos, depois seguimos para buscar as meninas, jantamos no Wood, e fomos pra casa. As meninas logo deitaram e dormiram, tinhamos a casa pra nós. Nós deitamos e depois de nos amarmos mais uma vez,  ela sussurou no meu ouvido a frase que nunca mais sairia da minha cabeça: Eu te amo John, independentemente do que aconteça, estarei com você onde vocês tiver. você é o meu único amor. eu olhei nos olhos dela e respondi: também te amo minha rainha,nem a morte vai nos separar!, após isso ela  abriu um sorriso, aquele sorriso que eu não consigo descrever,deitou em meu peito e fiz cafuné nela até dormirmos. No dia seguinte. acordei empolgado, fazendo mil planos, afinal era férias das meninas.Levantei , e ela não estava mais na cama, olhei no banheiro, fui até o quarto das meninas.que ainda dormiam, e nada, olhei pela janela e vi seus cabelos voando, lá estava ela na varanda. - Amor bom dia, dormiu bem?, não obtive resposta alguma nem sequer um sinal, fui até ela, reparei que em uma mão ela segurava uma rosa, da mesma rosa que as meninas levariam em seu para seu túmulo, em seu colo, nosso albúm de fotografia com uma carta dentro,ela estava jogada na cadeira. Segurei sua mão, ainda estava quente: - Amor?... Querida?... Não brinque comigo desta forma!... não havia pulso, não havia batimento algum,não havia resposta e nem semblante de dor, havia um sorriso que ainda estava lá. Fui ao chão, ainda segurando a mão dela, foi dificil ver que ela estava  morta, que não havia mais jeito ela estava morta, sentada na cadeira de balanço na varanda, a mesma em que hoje sento e meus fantasmas me assombram '


Continua ...

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