terça-feira, 27 de abril de 2010

Velhas Memórias #3

" Ouvi um barulho na cozinha, olhei pra traze vi pela janela que minha filha,Clarice fizera uma pilha de cadeiras para pegar sua tigela preferida, uma que tinha uns cometas, planetas, luas e estrelas, corri afinal, é tão pequenina minha menina.Cheguei a tempo de pega- lá, pois como a pilha já estava torta. segurei-a com força, olhei pra minha menina e esbravejei: Clarice! não faça isso nunca mais!.Com os olhos arregalados, ela me olhou, mas logo abriu um sorriso: despupa papa!(desculpa papai), e me abraçou, aqueles abraços de criança que amolecem o coração mais duro e faz com que qualquer esporro seja esquecido em questão de segundos. Levantei do chão com ela pendurada em meu pescoço, peguei -a coloquei ela sentada como uma mocinha em sua cadeira lilás com desenhos de lua, pus pra ela seu cereal de matinal e seu copo de suco de laranja. me sentei a frente dela,assistir minha menina se deliciando era fascinante. Enquanto Clarice se lambuzava, Lucy descia as escadas ainda coçando os olhos, corri para abraçá-la, como fazia todas as manhãs. - Bom dia sininho!. - Bom dia Peter!, - O que vai querer de café? - Umas panquecas com calda de chocolate!, disse minha estrela. Lucy. Ela tinha verdadeira admiração pela história de Peter Pan, todas as noites contava histórias que na verdade inventava.eu, era seu Peter Pan e ela minha Sininho. em minutos, as panquecas estavam prontas, agora sim estava me sentindo um tolo completo, olhando minhas filhas se deliciando e se lambuzando com o café da manhã.- Peter o que vamos fazer quando acabarmos de comer?, disse Lucy ainda com a boca cheia .-Não sei Sininho o que me sugere?. Ao ouvir isso Clarice puxou a irmã, coxixou em seu ouvido, e as  duas se olharam. e logo Lucy disse: - Peter queremos ir visitar a mamãe! e depois poderiamos ir ao bosque. o que acha?olhei pra Clarice, seus olhos brilhavam. ainda em pensando nesse pedido tão repentino,Clarice deu a volta na mesa, ficou parou na minha frente, e com as mãozinhas pequeninas juntas, como se estivesse rezando, pediu - Bamos, pos fabor papa (Vamos por favor,papai) .Ainda meio assustado com o pedido de minhas meninas, disse. - O desejo de vocês é uma ordem.ao terminar o café,e se comerem tudo vamos visitar a mamãe e iremos ao bosque! "


continua...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

velhas memória #2

' Sento me em minha cadeira, velha e com alguns burracos de cupim, olhando fixadamente pra frente meu primeiro fantasma vem me assombrar.Jude,meu amigo de infância. Crescemos juntos, Jude era meu companheiro, meu melhor amigo,éramos uma dupla, todos nos chamavam de JJ(Jude e John, meu nome se é que não havia citado antes). As meninas enlouqueciam com Jude, afinal ele tinha cabelos castanhos claros com as pontas aloiradas do sol, andava seus fios que batiam nos pescoço ao vento, seus olhos mudavam de cor de acordo com a luminosidade do ambiente, ora era azul psicina ofuscante e odiante ora era de um castanho impenetrável, sua pele clara, mas não totalmente branca, apesar de ao ficar alguns minutos exposto ao sol, ficava vermelho como tomate,era isso que mais o deixava 'fulo' da vida, de estatura mediana, sua altura não condizia com quantas besteiras fizerá na vida. Já eu, sempre fui mais alto do que Jude e me gabava por isso, de pele morena e olhos cor de mel, cabelos tambem no pescoço lisos e castanhos claros, tirando os detales físicos, o fantasma de Jude viera me assombrar naquela manhã. Lembrei de uma de nossas travessuras. Foi em um dia de muita chuva em nossa cidade, soubemos por fontes seguras que haveria um show particular do Nirvana ás 17:00 hrs, e nós erámos fãs incondicionais do Nirvana, todo diziam que Jude tinha uma certa similaridade com Kurt Cobain e nós riamos quando as pessoas o comparavam, pois bem, faltamos ao colégio naquele dia, esquecemos que haveria prova de geometria o que depois nos acarretou muitos problemas,juntamos nossas economias que davam juntas cerca de US$ 30,00, demos a desculpa para nossos pais que precisávamos de dinheiro para irmos fazer um trabalho na casa de um colega na cidade vizinha, eles, pobres coitados nos deram, apesar de todas as travessuras que fazíamos, eles ainda sim acreditavam em nós, por fim tinhas cerca de US$100,00 cada um. Pegamos algumas roupas enfiamos em uma mochila velha e lá fomos nós. Chegando lá vimos que seria quase impossível nossa entrada, foi ai que tive a grande ideia de usar a ' semelhança' de Jude com Kurt a nosso favor. Vesti ele com roupas parecidas com as de Kurt. Andamos confiantes até o segurança que prontamente nos pediu o nosso convite. Respodi - lhe asperamente : O senhor pensa que é quem pra pedir o ingresso do vocalista da banda que vai tocar nesta possilga? o segurança espantado com minha resposta olhou pra quem estava atraz de mim o ' Kurt Cobain', rapidamente pediu desculpas ao 'Kurt' e nos deixou entrar, foi mais fácil que pensávamos. Jude foi logo para o banheiro para retirar suas roupas de Kurt e sentar- se na platéia. Com algumas horas de atraso assistimos ao melhor show de nossas vidas. Por fim ao sairmos do local ouvimos pessoas falando que ao entrar o Kurt verdadeiro o segurança tombou pra traz e perguntou se ele tinha um irmão gêmeo, Kurt disse, com um sorriso que pras meninas era encantador e pra mim era uma audácia, que não senhor, que o segurança precisava parar de beber. Ao lembrar desse episódio, um vento longo e gelado veio ao meu lado, alguns diriam ser Jude, pois o mesmo havia morrido ainda na juventude, com toda certeza a partir do triste episódio da morte de meu melhor amigo, eu fui ficando amargo'


continua...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Velhas memórias#1




" Levanto, logo olho a volta da minha casa, faço a ronda como de costume. tomo meu café amargo e quente como de costume, subo ao quarto dou um beijo em minhas duas filhas, Lucy de 6 anos e Clarice de 3, escrevi um bilhete com palavras bonitas em cima da mesa de cabeceira branca das meninas, sigo ao corredor pego a foto de minha esposa falecida a 2 anos, como era linda minha, somente minha Lucy, morreu de desgosto, talvez por minha única culpa, sempre fui louco e hoje me mantenho são. minhas filhas e minha memória são as unicas razões por eu ainda estar vivo. deisho o leite das meninas na mesa e saio porta afora e todos eles vem comigo. quem você se pergunta,os fantasmas do meu passado. "


... continua